Valeria Rey Soto

Licenciada em Belas Artes pela Universidade de Salamanca, Espanha.

 

Exposições e Feiras

2012: Artigo Rio, Rio de Janeiro.

2012: Individual Vênus e Príapo, SESC Garanhuns.

2012: Individual Vênus e Príapo, Maison do Bonfim, Olinda.

2011: Individual Corpos em Festa, Galeria Ana das Carrancas, SESC Petrolina.

2011: Coletiva XII Exposição de Artes do IMIP, Santander Cultural, Recife.

2011: Individual As Nuvens de Perto, Galeria Dumaresq, Recife.

2010: SParte, São Paulo.

2009: Individual Corpos em Festa, Museu Murillo La Greca, Recife.

2008: Coletiva Sulcos e Relevos II, Centro Cultural Benfica, Recife.

 

Mídia

DPI Magazine, vol 12 - Meticulous Art II, Taiwan, 2013

Diário de Pernambuco, jul/2012

Revista Sim! 81, mai/2012

Diário de Pernambuco, jun/2011

Folha de Pernambuco, mar/2011

SParte, 2010

Textos

Preocupar-se com Flores (Bete Gouveia, Recife, março de 2011)

            Sempre que observo as flores, ocorre-me pensar que elas, juntamente com os pássaros e as borboletas, estão entre as manifestações mais especiais da natureza.

            Dada a sua exuberância cromática,  como também pela extrema complexidade e sensualidade das suas configurações, as flores sempre exerceram forte atração sobre o olhar humano.

            Artistas de todas as partes do planeta, em diversos momentos ao longo da história da arte, no campo da pintura e do desenho, debruçaram-se sobre esse delicado produto do reino vegetal.

            Porém, a maior parte dos que se arvoram a captar suas qualidades essenciais, perdem-se em   realizações que não passam de grosseiros simulacros, superficialmente retinianos que, ao invés de atrair-nos, põem em evidência apenas a impotência desse artista de atingir um tipo de sensibilidade rara, necessária a quem se aproxima desse particular universo.

            Distantes dessa grande maioria, portanto, estão aqueles artistas que conseguiram entrar em sintonia com as flores, comungando com elas um tipo de naturalidade espontânea e despretensiosa.         É o caso de Van Gogh e seus girassóis que dramaticamente parecem captar a energia radiante do universo; Gerhard Richter e suas rosas semi-mortas e solitárias; Matisse e seus singelos ambientes florais carregados de leveza e intimidade, ou mesmo Mondrian, cujos desenhos que evidenciavam a constituição formal dos crisântemos e outras flores, o ajudaram a  construir seus fundamentos neoplasticistas.

            As flores constituem a preocupação central de Valéria Rey Soto, que nesse caso rege um processo de orquestração quase espontâneo, pelo fato de articular com expansões e contenções, extravasamentos e minúcias, na execução das suas obras. 

            Povoando todas as séries de trabalhos da artista, as flores constituem uma teia em expansão que parece insistir em afirmar sua infinitude e se negar ao aprisionamento que lhe é imposto pelas margens do suporte, seja ele papel, tela, tecido, ou quaisquer outros.

            A ânsia de liberdade dessa rede vegetal, que parece autônoma, desdobra-se em diálogos ao deslocar-se em visíveis e constantes movimentos rítmicos. Em algumas ocasiões ela se torna mais densa e assume diversas materialidades ao  mesclar-se às texturas de pele humana. Em outros momentos transmuta-se em heterogêneas e aparentes identidades, quando disfarçadas de estamparias saturadamente coloridas, ou camufladas de árvore, nuvem, personagens de ópera, animais e seres mitológicos.

            Todos esses disfarces, no entanto, parecem servir para revelar, subliminarmente, seu verdadeiro objetivo, que nesse caso se assemelha à função primordial de todas as flores: sua latente sensualidade genital, selvagem e primal, presente  e pulsante em todos os seres viventes.

 

Vênus e Príapo (Habib Zahra, 31 de julho de 2012)

Nesta serie de desenhos, que não por coincidência foi concebida e criada durante a primeira gravidez de Valeria, a artista esta homenageando os deuses e as deusas da fertilidade, abrindo um dialogo inesperado entre as texturas coloridas e exuberantes que caracterizam seu trabalho e uma seleção eclética de obras espalhadas através dos séculos, desde o período neolítico até hoje em dia.

De um lado, temos a anatomia divinal feminina, aqui chamada de “Vênus”, deusa da fertilidade, da beleza e do amor no panteão romano, mas representando um arquétipo feminino universal, presente em quase todas as mitologias, seja sob o nome de Afrodite, ou de Isis, ou de Oxum... Vênus, nascida do mar, na concha, molhada, o que vale dizer: sensual, oferecida, pronta para o amor – e este convite nunca foi tão forte quanto nas obras de Valeria, que, com seus oceanos de camadas e texturas, nós seduz e nós provoca a mergulhar sempre mais fundo dentro do desenho.

Do outro lado, temos as divindades fálicas, simbolizadas por Príapo, deus dos jardins e da fecundidade, responsável pela fertilidade não apenas das mulheres, mas também do gado, da terra e das colheitas. Nestas representações, as aquarelas de Valeria parecem dissolver e amaciar a violência tipicamente associada com o órgão genital masculino, resultando numa coleção de falos irresistivelmente doces e coloridos. Mas não se deixem enganar: atrás das flores e dos enfeites, ainda temos um Príapo macho, vibrando com toda sua força e seu poder procriador.